TUITADA – NOVELA “SARAMANDAIA” ESTREIA COM FORTE ATMOSFERA POLÍTICA DENTRO E FORA DA TELA

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Nesta segunda-feira a Rede Globo estreou a excêntrica “Saramandaia”, sua terceira releitura para a faixa de novelas das 23hrs. A cultuada trama original foi exibida em plena ditadura militarenta de 1976, época fortemente marcada por grande discussão política no país. Não à toa, o novelista Dias Gomes dizia que esta havia sido sua novela mais prazerenta de escrever. Já a “Saramandaia” de hoje, foi a estreia mais prazerosa de se assistir em muitos anos de Rede Globo.

Confira como o assunto repercutiu no microblog:

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E como uma novela escrita há mais de trinta anos atrás consegue se manter tão atual? Fácil. “Saramandaia” é uma novela que fala de arquétipos. Com situações e personagens que despertam um fascínio independente da geração à que a história é apresentada.

Com um elenco universalizante de um punhado de astros e estrelas o autor Ricardo Linhares usou a linguagem do realismo fantártido pra fazer uma clara defesa à máxima social: a política emana do povo. Através de uma história que prega a tolerância em meio a personagens tão autênticos, “Saramandaia” reestreou no momento certo: durante o mês de maior revolta popular dos últimos vinte anos no país. Na trama da Rede Globo, os jovens duma pequena e esquisita cidade interiorana protestam por mudanças num município marcado pela má administração pública e pela corrupção governistana. O autoritário ex-prefeito da cidade Zico Rozado é um líder conservador que defende o antigo regime governista do município. Este impasse entre o velho e o novo foi sintetizado na discussão em torno do nome da cidade: os jovens liberais querem varrer a imagem de corrupção da cidade de “Bole-Bole” mudando o nome da região para “Saramandaia”. Como o ex-prefeito mantém uma tradicional produção de cachaça chamada “Bole-Bole”, a idéia de mudar o nome da cidade não agrada seus bolsos nem um pouco. Por isso ele molha as mãos dos vereadores do município para votarem a favor da revogação do novo nome do município. “EU TENHO AQUILO ROXO!”, brada o corrupto Zico Rozado parafraseando um inesquecível ex-presidente do Brasil. Como em toda novela o romantismo na trama apareceu cheio de conflitos e com direito à ares de Romeu e Julieta: Zico Rozado ama desde a adolescência Vitória Vilar (Lilían Cabral), uma liberalista cujo a família é inimiga mortal dos Rozado. E SIM! Zé Mayer e Lília Cabral vivendo pela quarta vez um casal (Alô direção!). Zico expele formigas do nariz. Já ela, detém a poderância de conseguir parar o tempo. Devemos lembrar que na cidade de Bole-Bole  diversos personagens possuem diferenciamentos muito únicos: João Gibão (Sérgio Guizé do seriado “Sessão de Terapia) possui poderes psíquicos e disfarça um longo par de asas através de uma falsa corcunda, Cazuza (Marcos Palmeira) vive com o coração saindo literalmente pela boca e o professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes) se transforma em lobisomem em noites de Lua Cheia.

personagens

E este microcosmo da diversidade em Saramandaia funciona como um retrato da política segregadora ainda defendida por políticos do país como Marcos Feliciano (que aliás será referência na história da novela justamente no núcleo governista tão retrógradento de Saramandaia). Ricardo Linhares parece ter genialmente captado o zeitgeist dos nossos tempos ao antecipar assuntos tão em voga na agenda setting: antes dos recentes ataques truculentos da PM pelo país, o autor já havia escrito uma passagem bastante semelhante na trama. Em “Saramandaia” após um caso de violência, os jovens saramandistas farão uma marcha vestidos de branco e distribuindo flores à população para mostrar que são contra a repressão violenta. O autor ainda declarou à coluna de Cristina Padiglione no Estadão que sentia que o tema já estava no ar devido ao Occupy Wall Street, às manifestações no Egito, Tunísia e na  Turquia. Linhares disse que também planeja bolar uma situação em que o político Zico Rosado seja vaiado (fato ocorrido com a presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa das Confederações).

Coincidência a parte e mesmo com inúmeras tramas e situações deliciosamente arquetípicas é espantoso que a Rede Globo tenha autorizado uma novela com uma embalagem tão histericamente exótica. Talvez aí se expliquem alguns enquadramentos de câmera e alguns diálogos mais quadradões. Afinal de contas, a Rede Globo é como os discursos do prefeito da cidade, o jovem Lua Viana (Fernando Belo): a mensagem deve ser conciliadora e pensar também no público digamos “mais bole-bolense”.

Os enquadramentos e diálogos mais conservadores (que não combinam com a recente safra de novelas da emissora) talvez sejam explicados pela trilha sonora retrô e interiorana da história. Certa vez Boni disse que uma novela de trama sofisticada deveria ter necessariamente uma trilha sonora popular. Como a trilha aqui também não é exatamente a mais abrangente, o caminho pode ter sido amenizar o exotismo da história em uma direção de câmera e um texto menos ousados.

Já para o público da segunda tela a Rede Globo preparou uma surpresa deliciosamente inovadora e construiu uma ação interativa com os usuários do twitter durante a exibição de estréia da novela. A medida que a hashtag #Saramandaia subia nas posições dos assuntos mais comentados do microblog a personagem Dona Redonda (Vera Holtz) ia comendo, comendo e comendo e inchando cada vez mais. Desta forma é como se a emissora dissesse: “Se vocês sabem o fim da Dona Redonda da década de 70 e nós queremos que os tuiteiros do Séc XXI nos contem eles mesmos como foi este tragicômico final”.Como a novela ainda não atingiu o topo dos assuntos mais comentados do twitter é aguardar para pelo resultado das explosivas tuitadas dos usuários.

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Se a Rede Globo foi hostilizada nas redes sociais e até nas ruas do Brasil nos recentes protestos do Brasil aqui vai uma boa homenagem da emissora à todos aqueles (que assim como eu) já maldizeram o canal por suas preferências jornalísticas evidentemente direitistas. O padroeiro da cidade de Saramandaia é ninguém mais ninguém menos que Santo Dias, operário líder do movimento sindical que foi símbolo da esquerda no país durante a ditadura militar e que acabou assassinado pela PM em 1979. Neste sendito, o bordão “isso a Rede Globo não mostra” talvez nunca tenha soado tão ultrapassento.

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